quarta-feira, dezembro 31, 2008

PALESTINA-ISRAEL

Palestina (do original Filistina – “Terra dos Filisteus”) é o nome dado desde a Antiguidade à região do Oriente Próximo (impropriamente chamado de “Oriente Médio”), localizada ao sul do Líbano e a nordeste da Península do Sinai, entre o Mar Mediterrâneo e o vale do Rio Jordão. Trata-se da Canaã bíblica, que os judeus tradicionalistas preferem chamar de Sion.

A Palestina foi conquistada pelos hebreus ou israelitas (mais tarde também conhecidos como judeus) por volta de 1200 a.C., depois que aquele povo se retirou do Egipto, onde vivera por alguns séculos.

Mas as sucessivas dominações estrangeiras, começadas com a tomada de Jerusalém (587 a.C.) por Nabucodonosor, rei da Babilônia, deram início a um progressivo processo de diáspora (dispersão) da população judaica, embora sua grande maioria ainda permanecesse na Palestina.

As duas rebeliões dos judeus contra o domínio romano (em 66-70 e 133-135 d.C.) tiveram resultados desastrosos. Ao debelar a primeira revolta, o general (mais tarde imperador) Tito arrasou o Templo de Jerusalém, do qual restou apenas o Muro das Lamentações. E o imperador Adriano, ao sufocar a segunda, intensificou a diáspora e proibiu os judeus de viver em Jerusalém. A partir de então, os israelitas espalharam-se pelo Império Romano; alguns grupos emigraram para a Mesopotâmia e outros pontos do Oriente Médio, fora do poder de Roma.

A partir de então, a Palestina passou a ser habitada por populações helenísticas romanizadas; e, em 395, quando da divisão do Império Romano, tornou-se uma província do Império Romano do Oriente (ou Império Bizantino).

Em 638, a região foi conquistada pelos árabes, no contexto da expansão do islamismo, e passou a fazer parte do mundo árabe, embora sua situação política oscilasse ao sabor das constantes lutas entre governos muçulmanos rivais. Chegou até mesmo a constituir um Estado cristão fundado pelos cruzados (1099-1187). Finalmente, de 1517 a 1918, a Palestina foi incorporada ao imenso Império Otomano (ou Império Turco). Deve-se, a propósito, lembrar que os turcos, e embora muçulmanos, não pertencem à etnia árabe.

Em 1896, o escritor austríaco de origem judaica Theodor Herzl fundou o Movimento Sionista, que pregava a criação de um Estado judeu na antiga pátria dos hebreus.

Esse projecto, aprovado em um congresso israelita reunido em Genebra, teve ampla ressonância junto à comunidade judaica internacional e foi apoiado sobretudo pelo governo britânico (apoio oficializado em 1917, em plena Primeira Guerra Mundial, pela Declaração Balfour).

No início do século XX, já existiam na região pequenas comunidades israelitas, vivendo em meio à população predominantemente árabe. A partir de então, novos núcleos começaram a ser instalados, geralmente mediante compra de terras aos árabes palestinianos.

Durante a Primeira Guerra Mundial, a Turquia lutou ao lado da Alemanha e, derrotada, viu-se privada de todas as suas possessões no mundo árabe. A Palestina passou então a ser administrada pela Grã-Bretanha, mediante mandato concedido pela Liga das Nações.

Depois de 1918, a imigração de judeus para a Palestina ganhou impulso, o que começou a gerar inquietação no seio da população árabe. A crescente hostilidade desta última levou os colonos judeus a criar uma organização paramilitar – a Haganah – a princípio voltada para a autodefesa e mais tarde também para operações de ataque contra os árabes.

Apesar do conteúdo da Declaração Balfour, favorável à criação de um Estado judeu, a Grã-Bretanha tentou parar o movimento imigratório para não descontentar os Estados muçulmanos do Oriente Médio, com quem mantinha proveitosas relações económicas; mas viu-se confrontada pela pressão mundial da colectividade israelita e, dentro da própria Palestina, pela acção de organizações terroristas.

Após a Segunda Guerra Mundial, o fluxo de imigrantes judeus tornou-se irresistível. Em 1947, a Assembleia Geral da ONU decidiu dividir a Palestina em dois Estados independentes: um judeu e outro palestino. Mas tanto os palestinianos como os Estados árabes vizinhos recusaram-se a acatar a partilha proposta pela ONU.

Em 14 de maio de 1948, foi proclamado o Estado de Israel, que se viu imediatamente atacado pelo Egipto, Arábia Saudita, Jordânia, Iraque, Síria e Líbano (1ª Guerra Árabe-Israel). Os árabes foram derrotados e Israel passou a controlar 75% do território palestino. A partir daí, iniciou-se o êxodo dos palestinianos para os países vizinhos. Actualmente, esses refugiados somam cerca de 3 milhões.

Os 25% restantes da Palestina, correspondentes à Faixa de Gaza e à Cisjordânia, ficaram sob ocupação respectivamente do Egito e da Jordânia. Note-se que a Cisjordânia incluía a parte oriental de Jerusalém, onde fica a Cidade Velha, de grande importância histórica e religiosa.

A seguir a cronologia de alguns acontecimentos subsequentes

1947 A ONU aprova a partilha da Palestina em dois Estados – um judeu e outro árabe. Essa resolução é rejeitada pela Liga dos Estados Árabes.

1948Os Judeus proclamam o Estado de Israel, provocando a reacção dos países árabes. Primeira Guerra Árabe-Israel. Vitória de Israel sobre o Egipto, Jordânia, Iraque, Síria e Líbano e ampliação do território israelita em relação ao que fora estipulado pela ONU. Centenas de milhares de palestinianos são expulsos para os países vizinhos. Como territórios palestinianos restaram a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, ocupadas respectivamente por tropas egípcias e da jordania.

1956Guerra entre Israel e o Egipto. Embora vitoriosos militarmente, os israelitas retiraram-se da Faixa de Gaza e da parte da Península do Sinai que haviam ocupado.

1964Criação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), cuja pretensão inicial era destruir Israel e criar um Estado Árabe Palestino. Utilizando tácticas terroristas e sofrendo pesadas retaliações israelitas, a OLP não alcançou seu objectivo e, com o decorrer do tempo, passou a admitir implicitamente a existência de Israel.

1967Guerra dos Seis Dias. Atacando fulminantemente em três frentes, os israelitas ocupam a Faixa de Gaza e a Cisjordânia (territórios habitados pelos palestinianos) e tomam a Península do Sinai ao Egipto, bem como as Colinas de Golan à Síria.

1970“Setembro Negro”. Desejando pôr fim às retaliações israelitas contra a Jordânia, de onde provinha a quase totalidade das incursões palestinianas contra Israel, o rei Hussein ordena que suas tropas ataquem os refugiados palestinianos. Centenas deles são massacrados e a maioria dos sobreviventes se transfere para o Líbano.

1973Guerra do Yom Kippur (“Dia do Perdão”). Aproveitando o feriado religioso judaico, Egipto e Síria atacam Israel; são porém derrotados e os israelitas conservam em seu poder os territórios ocupados em 1967. Para pressionar os países ocidentais, no sentido de diminuir seu apoio a Israel, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) provoca uma forte elevação nos preços do petróleo.

1977Pela primeira vez, desde a fundação de Israel, uma força conservadora (o Bloco Likud) obtém maioria parlamentar. O novo primeiro-ministro, Menachem Begin, inicia o assentamento de colonos judeus nos territórios ocupados em 1967.

1979Acordo de Camp David. O Egipto é o primeiro país árabe a reconhecer o Estado de Israel. Este, em contrapartida, devolve a Península do Sinai ao Egipto (cláusula cumprida somente em 1982). Em 1981, militares egípcios contrários à paz com Israel assassinam o presidente Anwar Sadat.

1982Israel invade o Líbano (então em plena guerra civil entre cristãos e muçulmanos) e consegue expulsar a OLP do território libanês. Os israelitas chegam a ocupar Beirute, capital do Líbano. Ocorrem massacres de refugiados palestinianos pelas milícias cristãs libanesas, com a conivência dos israelitas.

1985As tropas israelitass recuam para o sul do Líbano, onde mantêm uma “zona de segurança” com pouco mais de 10 km de largura. Para combater a ocupação israelita, forma-se o Hezbollah (“Partido de Deus”), organização xiita libanesa apoiada pelo governo islâmico fundamentalista do Irã.

1987Começa em Gaza (e se estende à Cisjordânia) a Intifada (“Revolta Popular”) dos palestinianos contra a ocupação israelit. Basicamente, a Intifada consiste em manifestações diárias da população civil, que arremessa pedras contra os soldados israelitas. Estes frequentemente revidam a bala, provocando mortes e prejudicando a imagem de Israel junto à opinião internacional. Resoluções da ONU a favor dos palestinianos são sistematicamente ignoradas pelo governo israelit ou vetadas pelos Estados Unidos. A Intifada termina em 1992.

1993Com a mediação do presidente norte-americano Bill Clinton, Yasser Arafat, líder da OLP, e Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel, firmam em Washington um acordo prevendo a criação de uma Autoridade Nacional Palestina, com autonomia administrativa e policial em alguns pontos do território palestino. Prevê-se também a progressiva retirada das forças israelitas de Gaza e da Cisjordânia. Em troca, a OLP reconhece o direito de Israel à existência e renuncia formalmente ao terrorismo. Mas duas organizações extremistas palestinianas (Hamas e Jihad Islâmica) opõem-se aos termos do acordo, assim como os judeus ultra-nacionalistas.

1994Arafat retorna à Palestina, depois de 27 anos de exílio, como chefe da Autoridade Nacional Palestina (eleições realizadas em 1996 o confirmam como presidente) e se instala em Jericó. Sua jurisdição abrange algumas localidades da Cisjordânia e a Faixa de Gaza – embora nesta última 4 000 colonos judeus permaneçam sob administração e protecção militar israelita. O mesmo ocorre com os assentamentos na Cisjordânia. Na cidade de Hebron (120 000 habitantes palestinianos), por exemplo, 600 colonos vivem com o apoio de tropas de Israel. Nesse mesmo ano, a Jordânia é o segundo país árabe a assinar um tratado de paz com os israelitas.

1995Acordo entre Israel e a OLP para conceder autonomia (mas não soberania) a toda a Palestina, em prazo ainda indeterminado. Em 4 de Novembro, Rabin é assassinado por um extremista judeu.

1996É eleito primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, do Partido Likud (antes denominado Bloco Liked), que paralisa a retirada das tropas de ocupação dos territórios palestinianos e intensifica os assentamentos de colonos judeus em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, em meio à população predominantemente árabe. O processo de pacificação da região entra em compasso de espera, ao mesmo tempo em que recrudescem os atentados terroristas palestinos. Em Israel, o primeiro-ministro (chefe do governo) é eleito pelo voto direto dos cidadãos.

1999Ehud Barak, do Partido Trabalhista (ao qual também pertencia Yitzhak Rabin), é eleito primeiro-ministro e retoma as negociações com Arafat, mas sem que se produzam resultados práticos.

2000Israel retira-se da “zona de segurança” no sul do Líbano. Enfraquecido politicamente, devido à falta de progresso no camiho da paz, e também devido às ações terroristas palestinas (não obstante as represálias israelenses), Barak renuncia ao cargo de primeiro-ministro. São convocadas novas eleições, nas quais ele se reapresenta como candidato. Mas o vencedor é o general da reserva Ariel Sharon, do Partido Likud, implacável inimigo dos palestinos. Pouco antes das eleições, começa nos territórios ocupados uma nova Intifada.

2001Agrava-se o ciclo de violência: manifestações contra a ocupação israelense, atentados suicidas palestinos e graves retaliações israelenses. Nesse contexto, Yasser Arafat, já septuagenário, parece incapaz de manter a autoridade sobre seus compatriotas ou de restabelecer algum tipo de diálogo com Israel, cujo governo por sua vez mantém uma inflexível posição de força.

Os últimos anos

2005 Com a morte de Arafat, sucede-lhe Abbas, desta vez eleito Presidente da ANP em janeiro de 2005. No mesmo ano, Israel retira colonos de Gaza e de parte da Cisjordânia.


2006Nas eleições parlamentares de Janeiro de 2006, o Hamas elege a maior bancada parlamentar. Considerado grupo terrorista por Israel, Estados Unidos e União Europeia, as negociações de paz mantêm-se junto ao Fatah. O Quarteto exige que o Hamas renuncie à violência, aceite o direito de Israel à existência e reconheça os acordos anteriormente firmados com a OLP. A ANP passa a sofrer, nessas circunstâncias, forte pressão financeira, com redução substancial da ajuda internacional que recebia, e suspensão do repasse de receitas tributárias recolhidas por Israel.

2007O Hamas indica Ismail Haniyeh para Primeiro-Ministro. Enfrentamentos armados entre as duas facções tornam-se freqüentes e, em fevereiro de 2007, conclui-se o Acordo de Meca, que preconiza a formação de governo de união nacional. O novo Gabinete, contudo, não consegue evitar a retomada dos conflitos. Em junho, o Hamas conquista, militarmente, a Faixa de Gaza. Abbas dissolve o governo de coalizão e nomeia Primeiro-Ministro o seu Ministro das Finanças, Salam Fayyad. O novo Governo é reconhecido, de imediato, por Israel e pelo Quarteto. Com isso, o embargo financeiro internacional à ANP é suspenso.
A Conferência de Annapolis, realizada em novembro de 2007, teve o objetivo de retomar o processo de paz no Oriente Médio, em especial em sua vertente israelo-palestina. Com o apoio do Quarteto, o encontro visou à obtenção de um acordo de paz entre israelenses e palestinos, até o final de 2008, em relação a todas as questões substanciais ligadas ao processo negociador – o retorno de refugiados palestinos, assentamentos israelenses, o status de Jerusalém, o traçado das fronteiras, recursos hídricos, segurança de Israel, entre outros. A iniciativa é, historicamente, a que reuniu a mais ampla participação no processo de paz, ao envolver inclusive países em desenvolvimento extra-regionais, como Brasil, México, Índia e África do Sul.




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