sexta-feira, outubro 23, 2009

FRENTE A FRENTE



Que conclusão posso eu tirar deste frente a frente?

Ora, como eu disse já várias vezes, tenho a Bíblia em casa porque me foi oferecida por um ex-colega que estava na altura prestes a tornar-se padre e durante os meses em que estivemos a trabalhar juntos, o tema da igreja e do facto de eu não acreditar em nada disso foi uma constante. Ele ofereceu-me um terço e eu pedi-lhe se me conseguia emprestar a Biblia para eu matar a minha curiosidade em a ler. Um certo dia ele chegou junto de mim e ofereceu-ma, por isso eu a guardo até hoje, também porque sou da opinião que para a época em que foi escrita, é uma fascinante obra de ficção cientifica onde ao ler pudemos imaginar no nosso cérebro um vastíssimo número de efeitos especiais dignos de um Spielberg.


Quanto ao frente a frente, era o esperado, perante as dúvidas e as afirmações directas de José Saramago, o padre refugiou-se sempre nas divagações. Eu recordo-me que aquilo que todos os dias eu perguntava ao meu ex-colega (agora padre) era onde está Deus, como posso eu acreditar, idolatrar e entregar o sentido da minha vida a alguém que nunca vi e pelos vistos vou continuar sem ver, ao que ele me respondia que Deus está em toda a parte, na brisa que nos toca, nos sons que ouvimos, na natureza... Um pouco como os romenos, sim, aqueles tipos mal vestidos, quase descalços, sujos e nauseabundos que eu sou obrigado a ver nas ruas, no barco que atravessa o tejo, no café ao pequeno almoço, à porta do supermercado, enfim, um pouco por todo o lado.

Sinceramente, não fiquei surpreendido como o frente a frente, até porque as minhas expectativas não eram altas. Serviu apenas para reforçar ainda mais a ideia de Saramago que este Deus não é de fiar!

1 comentário:

Johanna disse...

Concordo que a bíblia não é de fiar! Não tanto que Deus não é de fiar. Não foi Deus que escreveu a bíblia, nem que determinou o que seria digno ou não de entrar nela, sabe-se que existem variados evangelhos que a Igreja não admitiu e esconde das pessoas.

Aliás uma das minhas dúvidas como José Saramago também teve é porque existem 2 testamentos? Porque é que a Lei no antigo testamento é "olho por olho, dente por dente" e no novo testamento é "dou-vos um novo mandamento: que vos ameis um ao outro"?
Realmente dá mesmo a impressão de que "Deus" se enganou ou mudou de idéias.
Eu fui também criada na cultura judaico-cristã, na fé católica.
Ninguém me perguntou se queria ser católica, pura e simplesmente baptizaram-me e criaram-me nessa crença!
Hoje afirmo-me cristã e não católica, é verdade que a figura de Cristo está em mim (digo "dentro de mim", no meu coração como homem que soube "dar a outra face" não é qualquer um que o faz é preciso grande coragem e força ESPIRITUAL não digo religiosa, repare-se, mas espiritual, para tal capacidade de PERDÃO).
Saramago está muito bem e muito coerente e as suas dúvidas, queiram ou não admitir são as de muitos ditos católicos... simplesmente não há a coragem de o afirmar... porque cresceram no temor a Deus???? Talvez
Porque não é politicamente correcto?
Porque não convém agitar certas "águas"? Muito provavelmente.

Eu cresci no AMOR a Deus! E não foi em criança em adulta também.

Agora respeito perfeitamente todos os que não crêem na sua existência!
Eu acredito. Mas é uma experiência minha, aliás, uma experiência intima e pessoal assim como deve ser, penso eu, a relação de qualquer um com o seu "Criador".

De resto, apenas posso dizer que não concordo é com a responsabilização de "Deus", "Alá", ou "X - ser superior ou divino ou cósmico", pelos problemas sociais, políticos e económicos ou até climáticos que se passam no Mundo hoje.
Na verdade, hoje e sempre... estamos sempre a procurar um culpado pelos nossos próprios erros.
A humanidade é, de facto, responsável por si própria pela sua história antiga e recente, pelos seus actos mais nobres ou genocídas... mais ninguém. É a minha opinião!