segunda-feira, junho 25, 2007

OPINIÃO


Para quem trabalha há alguns anos no ramo da vigilância é fácil aperceber-se dos muitos problemas que existem.

Há graves problemas de repressão, discriminação e desrespeito pelos direitos humanos aos trabalhadores vigilantes da segurança privada.

O rol é imenso:

-Alteração arbitrária de horários de trabalho e escalas de turnos;
-horas de trabalho não pagas;
-não pagamento de feriados;
-horários que chegam a 12 horas seguidas, às vezes sem pausa para refeição;
-desempenho de funções que não estão relacionadas com a vigilância;
-obrigação de formação após 8 horas de serviço nocturno ou em dias de folga, muitas vezes horas não pagas;
-inexistência de fardamento adequado para determinados tipos de serviço, nomeadamente serviço feito no exterior;
-pagamento do fardamento pelos vigilantes;
-transferências de local de trabalho como método repressivo;
-não pagamento de subsídio de refeição aquando de trocas;
-ausência das mínimas condições de privacidade para mudança de roupa;
-ausência de meios de apoio como lanternas ou qualquer meio de comunicação (rádios);
-ausência do mínimo de condições para se comer a refeição;
-trabalho permanente na rua;
-permanente rotatividade dos Vigilantes, existem situações em que o Vigilante roda cinco ou seis postos, não existindo formação específica em nenhum desses locais;
-horários de 4 horas num posto e mais 4 noutro, distante 20 ou 30 Km;
-usurpação de folgas, existindo sempre como justificação o acerto de jornada;
-férias marcadas e interrompidas arbitrariamente pela empresa sem qualquer benefício para o trabalhador;
-imposição de férias fora do período estipulado por lei;
-ausência de inspecções médicas ciclicamente (2 em 2 anos) na medicina no trabalho;
-vigilantes que no fim do último contrato antes de passar a efectividade são afastados temporariamente por uns dias, sendo chamados posteriormente para assinar um novo contrato a termo…
- inexistência do direito de defesa.
-impotência e incapacidade da Inspecção de Trabalho.

Até aqui tudo muito bem, mas será que a maioria dos vigilantes já olhou para si mesmo e depois de reflectir um pouco ainda se acha no direito de reclamar alguma coisa?

Senão vejamos...
-quantos cumprem o horário?
-quantos não dormem no serviço?
-quantos acham que 8 horas é pouco e pedem mais horas, chegando a fazer 12, 16 e até 18 horas num dia?
-quantos não se aproveitam de não existir um controlo de álcool para se embriagarem no horário de serviço?
-quantos levam a profissão realmente a sério?
-quantos andam na vigilância apenas com a preocupação em receber o ordenado no final do mês?
-quantos trabalham para lá da idade de reforma?
-quantos se preocupam com a imagem da empresa que representam?
-quantos não passam os dias a tentar prejudicar os colegas?
-quantos não cumprem com o que lhes é exigido, tentando trabalhar o menos possível?
-quantos sabem realmente o que é vigilância?

Conclusão:

Para reclamar por direitos que são mais que justos,
há-que ser profissional.

3 comentários:

Anónimo disse...

Tens 100% de razão! Muitas pessoas querem os seus direitos respeitados mas não sabem nem querem respeitar os seus deveres para com a empresa que representam.
Muitas vezes vejo vigilantes com a barba por fazer, com a roupa toda amarrotada, vejo mulheres com a saia da farda que mais parece um cinto e não uma saia... Enfim...
Acho que para nos respeitarem, temos primeiro que nos dar ao respeito, não é?
E quanto à empresa, acho também que devia ter mais respeito pelas pessoas que lhe dão os lucros ao fim do ano.
Beijinhos!

Miguel disse...

eu sei como é, ser demasiado exigente com os outros, querer ajuizá-los segundo os nossos pârametros como se todos tivessem de ser moldados à nossa imagem. O pior é depois, quando deparamos com algumas pedras nos nossos telhados.

Anónimo disse...

Tens razão e o pior é ter de andar de apito...na boca!